A obra de William Shakespeare “Sonho de Uma Noite de Verão” é ambientada na Grécia mítica e conta-nos à história de seres élficos e personagens mitológicos descrevendo a magia e a realidade em uma só dimensão. Meu texto/desabafo pode receber bem este título… Essa era a minha fantasia, meu sonho real, levado para o metaverso, quando há um ano e dois meses, adquiri uma ilha, a qual batizei de Surya (Sol em Sânscrito), pois minha conexão com a Índia e cultura Hindu é muito forte e a energia transformadora e de busca pelo sucesso, representada pelo sol é perfeita. Lá eu pensava em criar um ambiente belo, de magia e cultura.
E agora, chegou o momento crucial em que realidade e sonho se confrontam e resolvi fazer um balanço dessa experiência.
Eu sempre desejei ter uma ilha sem fins lucrativos, para oferecer beleza, cultura, paz e entretenimento na SL. Lá eu teria uma galeria, oferecia exposições de arte, shows e eventos, bancando por este prazer de levar cultura, bem estar e arte às pessoas. Por isso que também cedi um espaço nela para instalar a sede da revista InnerWorld. Tudo estava conectado em um grande projeto, que previa crescer mais ainda.
Foi com imenso carinho e prazer, que convidei a Thereaver na época para partilhar desse meu sonho duplo: Me ajudar a criar a ilha voltada à cultura fantasia e beleza, e montar uma revista diferenciada. Sou extremamente agradecida pela dedicação e talentos da There, que foi a builder da Surya, me ajudando de tantas maneiras a realizar este sonho e a adaptar um prédio para deixar mais linda ainda, uma sede para a revista, da qual ela é Diretora de Arte e Designer. De todo coração agradeço e como sempre declarei, estes dois sonhos só se tornaram reais, porque tive a amizade, carinho e dedicação de There, por quem tenho absoluto respeito e gratidão.
Também agradeço imensamente a ajuda do markk, ainda que no final da obra, mas que também foi importante, para alguns retoques e lindos objetos que comprou e criou para a ilha. Agradeço a todos, que de forma indireta também ajudaram ao prestigiar a ilha, a qual eu considerava um lar em minha segunda vida.

Nós duas bem sabemos o que temos sofrido desde que notamos mudanças na freqüência da Surya. Passamos até a ficar mais na sede da revista. Por isso, a decepção e sentimento de frustração e, por que não dizer, de revolta, nos tomou há alguns meses, quando observamos que os freqüentadores fiéis, gente do bem, que eram de vários países, e amavam a Surya e tudo o que encontravam lá, foram deixando de a visitar. Infelizmente, um grupo assíduo de canalhas “seqüestrou” o lugar para fazer dele seu point para uso de copybot e troca de produtos roubados. Alguns foram banidos, mas voltavam com alts e essa turma foi aumentando. Imaginem a tristeza imensa, quando eu lia em chat aberto, sem o menor escrúpulo, esse pessoal pedindo ou oferecendo uns aos outros estes produtos? “Você tem aí as skins da Redgrave? Pode me passar?” “Tem cabelos aí?” Isso era o mínimo e acontece ainda hoje. Tem gente até ensinando a usar copybot lá.
No início era até permitido criar objetos na ilha, exatamente para facilitar e permitir que as pessoas pudessem tirar belas fotos nas paisagens criadas com tanto amor. E muitas pessoas adoravam e fizeram trabalhos belíssimos lá. Então, nossa primeira providência foi proibir isso, para coibir as ações, mas infelizmente não resolveu nada. Imagine minha frustração ao ver que um local feito para oferecer beleza e cultura tenha se tornado reduto de “semi-analfabetos” para falarem palavrões, com uso de gestures nojentos e trocarem os tais produtos roubados.
Eu nunca medi esforços e nem me importei em ter uma ilha sem fins lucrativos. Era exatamente a realização de um sonho, mas qual é o benefício para as pessoas do bem, se a minha ilha se transforma em beco de marginais? Oferecer tudo e bancar, de coração é um imenso prazer para mim, mas fornecer uma ilha para que pessoas possam praticar crimes??? Isso não me interessa. Claro que não sou ingênua e “Pollyana” brincando de “o Jogo do Contente”, para achar que resolverei tudo apenas por decidir fechar a Surya, mas ao menos não serei conivente em oferecer mais um lugar para estas pessoas.
É com MUITA tristeza que faço esse desabafo e peço desculpas pelo longo texto, pois não gosto de ser chata, mas precisava comunicar a razão pela qual resolvi fechar minha ilha Surya e sufocar esse sonho. Como sempre acredito na vida e nas boas intenções, posso garantir que valeu demais, que se pude contribuir para que algumas pessoas se divertissem lá, já valeu. Mas, talvez eu possa dizer que tudo aquilo não passou de um sonho de uma noite de verão.
Vamos procurar com muito carinho um belo espaço para instalar a nova sede da InnerWorld Magazine e a galeria de arte Surya e em breve ela será re-inaugurada, com mais uma bela exposição de arte e eventos culturais. A revista permanece sempre com sua identidade e em sua essência, não importando onde seja a sua sede. There e eu manteremos a parceria de sucesso que tem sido a InnerWorld Magazine, com certeza.
Claro que meu sentimento é de total tristeza e frustração quanto à decisão que tomei, pois amo a Surya, mas mantê-la perdeu a proposta inicial e prefiro guardar na lembrança tudo o que ela representa em meu coração.
Talvez, em outro momento, eu parta para algo maior, uma ilha full, com mais condições para receber maior público até, mas antes disso, terei que tentar descobrir como administrar e conquistar outro tipo de visitantes. Mas, não é fácil, quando é uma ilha pública.
Agradeço a todos que visitaram a Surya Isle e a todos que me ajudaram a realizar este sonho.